AVC ou AVE



AVC ou AVE. O termo AVC é a abreviação para Acidente Vascular Cerebral, hoje é um termo em desuso, tendo em vista que quando nos referimos a esse acidente ele não acontece só no cerébro. Por isso hoje a terminologia correta é o AVE - Acidente Vascular Encefálico.
O encéfalo é formado por vários órgão que compõe a caixa craniana: Cerébro, cerebelo, bulbo raquidiano, tronco cerebral, telencéfalo, mesencéfalo, diencéfalo, ponte, terceiro e quarto ventrículos, aqueduto cerebral.

Estes órgão podem sofrer com desabastecimento de sangue causado por um esquemia (entupimento), ou ruptura das artérias que irrigam esse conjunto de órgãos.
Então o conceito de AVE - Acidente Vascular Encefálico é:
"É uma disfunção neurológica resultante da interrupção do abastecimento de sangue a nível encefálico."


O acidente vascular cerebral (AVC), ou Acidente vascular encefálico (AVE), vulgarmente chamado de "derrame cerebral", é caracterizado pela interrupção da irrigação sanguínea das estruturas do encéfalo,ou seja, ocorre quando o sangue que sustenta o cérebro com oxigênio e glicose deixa de atingir a região, ocasionando a perda da funcionalidade dos neurônios.

É uma doença de início súbito, que pode ocorrer por dois motivos: isquemia ou hemorragia Todo o sistema nervoso central pode ser acometido por esta doença e ele inclui, além do cérebro, o tronco encefálico, o cerebelo até a medula espinal. Dependendo da região atingida, os sintomas e as seqüelas são diferentes.

Assim o lobo frontal está mais ligado às decisões e movimentos, o parietal com os movimentos e a sensibilidade do pescoço para baixo e com parte da fala e o occipital com a visão. O cerebelo está ligado com o equilíbrio e o tronco cerebral com a respiração e os movimentos e sensibilidade do pescoço para cima. Claro que isto é uma explicação básica e deve-se ter em mente que todo sistema nervoso está interligado, uma lesão em uma mínima parte pode ter grandes repercussões no todo e suas implicações e a localização da lesão podem ser difíceis de diagnosticar, devendo a pessoa acometida ser avaliada por um médico.
Sinais e sintomas:
Os sinais são muito variados dependendo da localização e extensão do dano. De forma geral, incluem:

Dor de cabeça de início subto (talvez o único sintoma);
Síncope;
Alterações do nível de consciência;
Formigamento ou paralisia, usualmente das extremidades;
Dificuldade respiratória;
Queda facial;

Alteração visual;
Convulsão;
Pupilas desiguais (anisocoria);
Perda do controle urinário ou intestinal;
Hipertensão;
Dificuldade na fala (afasia), ou seja, dificuldade para falar, ouvir, compreender, bem como ler e escrever.

  

Tipos

O primeiro tipo, e o mais comum deles, é devido à falta de irrigação sanguínea em um determinado territóriocerebral, causando morte de tecido cerebral - é o AVC isquêmico

O AVC hemorrágico é menos comum, mas não menos grave, e ocorre pela ruptura de um vaso sanguíneo intracraniano, levando à formação de um coágulo que afeta determinada função cerebral.

Reabilitação

O processo de reabilitação pode ser mais ou menos longo, dependendo das características do próprio AVC, da região afetada e do apoio que o doente tiver.

Evolução

Quanto à evolução, temos 3 tipos de AVC, os que não deixam seqüela nenhuma: conhecidos como AIT, ou seja, acidente isquêmico transitório.
Os que não deixam seqüelas, mas duram mais de um dia e os que deixam sequelas. Quanto a este último, quando associado a déficits motores, opaciente necessita de um acompanhamento fisioterápico para potencializar e fortalecer os músculos que ainda possuem a inervação funcional para assim diminuir as deficiências que podem ter sido causadas; no caso de problemas na fala um fonoaudiólogo pode ser necessário.

AVC Isquêmico

O local no qual ocorre o AVC determina que tipo de seqüela pode surgir. Os sítios de obstrução mais freqüentes no AVC isquêmico são a artéria cerebral média (resultando em hemiperesia da face e dos membros superiores) e a artéria cerebral anterior (resultando em hemiparesia dos membros inferiores). Podem ocorrer também seqüelas não relacionadas diretamente ao sistema motor, como afasias (por lesão das áreas de Broca ou Wernicke, relacionadas à linguagem), amusia (perda das capacidades musicais), agnosia (perda da capacidade de interpretar os sentidos)e ataxia (perda da capacidade de planejamento motor). De qualquer forma, o AVC é uma doença que merece muita atenção pela dependência e alteração da vida que pode causar e a melhor maneira de lidar com ela é preveni-la controlando todos os fatores causais já citados, novamente mencionando que a principal é a hipertensão arterial sistêmica.


AVC Hemorrágico

Os AVCs hemorrágicos tendem a ocorrer em locais diferentes dos isquêmicos. Geralmente ocorrem onde existem aneurismas, que são por natureza pontos onde as artérias são suscetíveis a se romperem. Isto inclui na região dos núcleos da base, onde a hipertensão arterial sistêmica provoca a formação dos micro-aneurismas de Charcot-Bouchard. Esse tipo de AVC é freqüentemente fatal, e quando não leva a morte é altamente incapacitante pela lesão da cápsula interna, que leva à hemiparesia total. Alguns indivíduos também podem ter aneurismas congênitos, geralmente na região do polígono de WIllis, o que tende a levar a AVCs em idade precoces, também altamente fatais. Esses aneurismas congênitos podem ser detectados por ressonância magnética ou angiografia, permitindo que o paciente seja submetido à uma neurocirurgia de correção do aneurisma.

Tratamento

O melhor tratamento para o AVC é a prevenção, identificar e tratar os fatores de risco, como a hipertensão, arterosclerosa, o diabete melito, o colesterol elevado, cessar o tabagismo e o etilismo, além de reconhecer e tratar problemas cardíacos.Atualmente, acredita-se que um tratamento com trombolíticos pode ser usado na fase aguda do AVC isquêmico, para dissolver o coágulo que causou a isquemia. A estreptoquinase, troombolítico mais conhecido e utilizado no infarto do miocárdio, não se mostrou eficiente para o tratamento do AVC isquêmico. O trombolítico que é utilizado nos casos de AVC isquêmico agudo é o plasminogênio ativido, que demonstrou ótimos resultados quando aplicado por via endovenosa precocemente. Contudo, esta medicação só pode ser dada desde que o paciente que sofreu o AVC isquêmico chegue ao hospital dentro de 3 horas. Após essa fase inicial de instalação, além de trombólise não ser mais eficiente, ela pode ser perigosa, pois pode levar a uma reperfusão de um tecido necrótico, transformando o AVC isquêmico num acidente também hemorrágico, que pode levar à morte ou seqüelas muito graves.

Tratamento da PA no AVC isquêmico

O manejo da pressão arterial no AVC isquêmico é altamente polêmico, uma vez que tanto pressões muito altas como muito baixas podem ser fatais. Ambas as situações podem apresentar um potencial de morbi-mortalidade, pois a hipertensão pode estar associada à transformação hemorrágica e recorrência do AVC, enquanto a hipotensão é suspeita de levar a uma baixa perfusão, provocando lesões definitivas da zona da penumbra isquêmica e levando a um pior prognóstico. O tratamento de redução da PA desses pacientes já foi associado a uma melhora de prognóstico e há um aumento da eficiência e segurança do tratamento trombolítico, mas outros estudos correlacionam a redução da PA, assim como a hipotensão do AVC com um pior prognóstico neurológico, com maior morbidade e mortalidade. Alguns especialistas chegam a sugerir o aumento induzido da pressão arterial em pacientes hipotensos com AVC. A causa desse aparente paradoxo não é bem esclarecida, e suspeita-se que diferentes modalidades e circunstâncias do AVC determinem um papel diferente para a pressão arterial no prognóstico do paciente. A maioria dos neurologistas concorda que pressões excessivamente elevadas ( PAD > 220 mmHg) estão associadas a um prognóstico pior, mas a hipotensão ( PAD < 160 mmHg) parece ser igualmente deletéria. Vários estudos sugerem que uma redução moderada da pressão, se acompanhada por tratamento trombolítico, pode reduzir significantemente a morbi-mortalidade. Os mesmos estudos tendem a concordar que a redução da pressão, se não acompanhada por trombólise, pode não ser segura. Em presença dessas incertezas, o protocolo de manejo da PA em pacientes com AVC isquêmico agudo se baseia essencialmente na opinião de especialistas, que recomendam reduzir a PA em casos nos quais esta se encontra excessivamente elevada (PAD>220 mmHg), ou quando a redução for associada ao tratamento trombolítico. Nos demais casos a redução da PA não é considerada segura.

Tratamento do AVC hemorrágico


O tratamento dos acidentes hemorrágicos é ainda mais difícil que o dos casos isquêmicos. Alguns casos, como o de coágulos venosos no seio sagital superior podem ser tratados cirurgicamente, mas na maioria das vezes a área afetada é de difícil acesso, como o tronco cerebral no caso dos aneurismas congênitos ou a região da cápsula interna e núcleos da base no caso dos micro-aneurismas de Charcot-Buchard. Em geral preconiza-se o tratamento da hipertensão intracraniana, com manitol, suporte clínico e possivelmente craniotomia.

Conseqüências

As conseqüências do AVC podem afetar diversos aspéctos do paciente, tais como paralisia e fraqueza, habilidades de comunicação, fala, capacidade de compreensão, sentidos, além de raciocínio, emoções e memória.

Fatores de risco para AVC

Existem diversos fatores considerados de risco para a chance de ter um AVC, sendo o principal a hipertensão arterial sistêmica não controlada e, além dela, também aumentam a possibilidade o diabete melitus, doenças reumatológicas, trombose, uma arritmia cardíaca chamada fibrilação atrial, estenose da válvula mitral entre outras.Como já vimos, fator de risco é aquele que pode facilitar a ocorrência do AVC. É imprescindível a sua caracterização e devida correção, pois quase toda a prevenção do AVC é baseada no combate aos fatores de risco.
Os principais são:
a. Pressão Arterial: é o principal fator de risco para AVC. Na população, o valor médio é de "12 por 8"; porém, cada pessoa tem o um valor de pressão, que deve ser determinado pelo seu médico. Para estabelecê-lo, são necessárias algumas medidas para que se determine o valor médio. Quando este valor estiver acima do normal daquela pessoa, temos a hipertensão arterial. Tanto a pressão elevada quanto a baixa são prejudiciais, A melhor solução é a prevenção! Devemos entender que qualquer um de nós pode se tornar hipertenso. "Não é porque mediu uma vez, estava boa e nunca mais tem que se preocupar"! Além disso, existem murtas pessoas que tomam corretamente a medicação determinada porém uma só caixa! A pressão está boa e, então, cessam a medicação. Ora, a pressão está boa justamente porque está seguindo o tratamento! Geralmente, é preciso cuidar-se sempre, para que ela não suba inesperadamente. A hipertensão arterial acelera o processo de aterosclerose, além de poder levar a uma ruptura de um vaso sangüíneo ou a uma isquemia (Determine sua Pressão Arterial).

b. Doença Cardíaca: qualquer doença cardíaca, em especial as que produzem arritmias, podem determinar um AVC. "Se o coração não bater direito"; vai ocorrer uma dificuldade para o sangue alcançara cérebro, além dos outros órgãos, podendo levara uma isquemia. As principais situações em que isto pode ocorrer são: arritmias, infarto do miocárdio, doença de Chagas, problemas nas válvulas etc. (Determine seu Risco Cardíaco).

c. Colesterol: o colesterol é uma substância existente em todo o nosso corpo, presente nas gorduras animais; ele é produzido principalmente no fígado e adquirido através da dieta rica em gorduras. Seus níveis alterados, especialmente a elevação da fração LDL (mau colesterol, presente nas gorduras saturadas, ou seja, aquelas de origem animal, como carnes, gema de ovo etc.) ou a redução da fração HDL (bom colesterol) estão relacionados à formação das placas de aterosclerose.

d. Fumo: sempre devemos evitá-lo; é prejudicial à saúde em todos os aspectos, principalmente naquelas pessoas que já têm outros fatores de risco aqui cita dos. Acelera o processo de aterosclerose, torna o sangue mais grosso (concentrado) ao longo dos anos (aumentando a quantidade de glóbulos vermelhos) e aumenta o risco de hipertensão arterial (Determine sua dependência ao fumo).

e. Uso excessivo de bebidas alcoólicas: quando isso ocorre por murta tempo, os niveis de colesterol se elevam; além disso, a pessoa tem maior propensão à hipertensão arterial.

f. Diabetes Mellitus: é uma doença em que o nível de açúcar (glicose) no sangue está elevado. A medida da glicose no sangue é o exame de glicemia. Se um portador desta doença tiver sua glicemia controlada, tem AVC menos grave do que aquele que não o controla.

g. Idade: quanto mais idosa uma pessoa, maior a sua probabilidade de ter um AVC. Isso não impede que uma pessoa jovem possa ter.

h. Sexo: até os 51 anos de idade os homens ter maior propensão do que as mulheres; depois desta idade, o risco praticamente se iguala.

i. Raça: é mais freqüente na raça negra.

j. História de doença vascular anterior: pessoas que já tiveram AVC, "ameaça de derrame", infarto do miocárdio (coração) ou doença vascular de membros (Trombose etc.), tem maior probabilidade de ter um AVC.

k. Obesidade: aumenta o risco de diabetes, de hipertensão arterial e de aterosclerose; assim, indiretamente, aumenta o risco de AVC.

l. Sangue muito concentrado: isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa fica desidratada gravemente ou existe um aumento dos glóbulos vermelhos. Este último ocorre em pessoas que apresentam doenças pulmonares crônicas (quer dizer, por muitos anos), ou que vivem em grandes altitudes. Em ambos os casos, o organismo precisa compensar a falta de oxigênio, aumentando a produção dos glóbulos vermelhos, para não deixar "escapar" qualquer oxigênio que chega aos pulmões.

m. Anticoncepcionais hormonais: os mais utilizados são as pilulos, mas o médico deve avaliar e orientar cada caso. Atualmente se acredita que as pílulas com baixo teor hormonal, em mulheres que não fumam e não tenham outros fatores de risco, não aumentam a probabilidade de aparecimento de AVC.

n.Sedentarismo: a falta de atividades físicas leva à obesidade, predispondo ao diabetes, à hipertensão e o aumento do colesterol.(Determine seu Nível de Aptidão Física).

Fonte: Santa Casa de São Paulo

10 comentários:

Suellen Campelo disse...

Bem explicativo! Ajudou bastante, mas seria legal ter os cuidados de enfermagem e auxílio no pré e pós operatório.

Anônimo disse...

me ajudou muito obrigada :)

Wladimir Gimenez disse...

Parabens muito esclarecedora esta matéria.

Giselle disse...

Muito bom ajudou muito.Mas faltou cuidados de enfermagem. Obrigada

Giovani disse...

Fiquei com uma dúvida. ave e avc embora acometem estruturas do snc, um detalhe me intrigou, tive uma aula a poucas semanas atrás e me lembro da professora explicando a diferença, em que relatava que ave era específico de lesão no córtex, e avc acometia qualquer outra localidade do encéfalo ou vice-versa . por isso minha visita ao blog, porém com a explicação acima me gerou mais dúvidas.

Eliete oliveira disse...

Gostei muito da matéria, bastante esclarecedora, porém,concordo com Giovani. Aguardo esclarecimento.

Eliete oliveira disse...

Gostei muito da matéria, bastante esclarecedora, porém,concordo com Giovani. Aguardo esclarecimento.

Maria Helena lopes disse...

Perdoem-me a intromissão mas segundo todos os livros de anatomia que estudei o encéfalo é o conjunto enquanto que o cérebro é uma parte. Logo se é AVC, acomete o cérebro e se é AVE acomete quaisquer das estruturas, até mesmo o cérebro. Meu mestre de patologia aconselhou-nos a não usar o termo AVC. A menos que embasado e precedido por diagnóstico médico e apenas para fins de evolução. Ps1.: Faço enfermagem.
Ps2.: Espero ter sido útil.

zamba f. de castro disse...

gostei bastante desta matéria, muito esclarecedora

zamba f. de castro disse...

gostei bastante desta matéria, muito esclarecedora

Postar um comentário

Seu comentario é fundamental para o sucesso desse blog.
Então não esqueça de comentar, pois assim poderemos aprimorar cada vez mais.

 
Enfermagem 24hr | by TNB ©2010