Florence Nightingale na "História da Enfermagem".





Florence Nightingale foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", pelo fato de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo "pizza") criado inicialmente por William Playfair.

História
No dia 12 de maio de 1820, durante uma viagem que Edward e Francis Nightingale realizavam pela Europa, nasce uma de suas filhas que recebeu o nome de Florence em virtude do nascimento ter acontecido na cidade de Florença. Por ter nascido em uma família rica e educada, viveu a adolescência participando de uma sociedade aristocrática, tendo tido a oportunidade de estudar diversos idiomas, atemática, religião e filosofia.


Moça brilhante e impetuosa, rebelou-se contra o papel convencional para as mulheres de seu estatuto, que seria tornar-se esposa submissa, e decidiu dedicar-se à caridade, encontrando seu caminho na enfermagem.  Religiosa, desejava mesmo era fazer “trabalho de Deus” - ajudar os pobres, os doentes e os menos dotados, amenizando-lhes o sofrimento e a degradação.


Florence Nightingale ficou particularmente preocupada com as condições de tratamento médico dos mais pobres e indigentes. Ela anunciou sua decisão para a família em 1845, provocando raiva e rompimento, principalmente com sua mãe.


Em dezembro de 1846, em resposta à morte de um mendigo numa enfermaria em Londres, que acabou evoluindo para escândalo público, ela se tornou a principal defensora de melhorias no tratamento médico. Imediatamente, ela obteve o apoio de Charles Villiers, presidente do Poor Law Board (Comitê de Lei para os Pobres). Isto a levou a ter papel ativo na reforma das Leis dos Pobres, estendendo o papel do Estado para muito além do fornecimento de tratamento médico.


Em 1846, Florence visitou Kaiserwerth, um hospital pioneiro fundado e dirigido por uma ordem de freiras católicas na Alemanha, ficando impressionada pela qualidade do tratamento médico e pelo comprometimento e prática das religiosas.


A contribuição mais famosa de Florence foi durante a Guerra da Crimeia, onde a Grã-Bretanha lutava junto com a França ao lado dos aliados turcos em sua guerra contra a Rússia. Mais uma vez, as contingências aproximam Florence Nightingale das irmãs de caridade, só que agora de forma indireta. As irmãs já estavam

Enquanto isso, os hospitais militares ingleses estavam vivendo o caos. O exército britânico estava prestes a ser derrotado em virtude da doença, da desorganização, do frio e da fome. A cólera reduziu o exército
à inutilidade e as primeiras batalhas da Criméia foram feitas por homens exauridos pela doença e sedentos.
Os jornais ingleses criticavam a administração dos hospitais militares e alguém que conhecia o excelente trabalho das irmãs de caridade nos hospitais militares franceses escreveu no “Times”:
TEMOS IRMÃS DE CARIDADE?”
decisão”
Em outubro de 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por ela, inclusive sua tia Mai Smith, partem para os Campos de Scutari localizados na Turquia Otomana.


O fato de ser mulher significava que tinha que lutar com as autoridades militares a cada passo para levar a cabo o propósito de reformar o sistema hospitalar. Com condições como soldados deitados no chão bruto, rodeados por insetos e ratos e operações sendo efetuadas em condições anti-higiênicas, não foi surpresa que quando ela chegou a Scutari, doenças como cólera, tifo fossem comuns nos hospitais. Isto significava que soldados feridos tinham sete vezes mais chances de morrer de uma doença hospitalar do que no campo de batalha.
Enquanto esteve na Turquia ela coletou dados e organizou um sistema de manutenção de registros que utilizou como uma ferramenta para melhorar as condições dos hospitais civis e militares. Seu conhecimento matemático foi útil para se valer das informações coletadas para o cálculo das taxas de mortalidade nos hospitais. Estes cálculos mostravam que uma melhoria nas condições sanitárias resultaria num decréscimo no número de mortes. Já em fevereiro de 1855 as taxas de mortalidade caíram de 60% pra 42,7%. Através do estabelecimento do suprimento de água fresca bem como da utilização de fundos próprios para comprar frutas, vegetais e equipamentos hospitalares, a taxa de mortalidade na primavera caiu para 2,2%.

Nightingale utilizou os dados estatísticos para criar o diagrama de área polar ou "coxcombs" (cristas) como ela o chamava. Eles eram utilizados para representar graficamente as taxas de mortalidade durante a guerra da Criméia (1854-56).
A área de cada fatia colorida, medida do centro como um ponto comum, está na proporção da estatística que ela representa. A fatia azul externa representa as mortes:
... por doenças contagiosas (mitigáveis)
tais como a cólera e o tifo. A parte vermelha central mostra as mortes por ferimentos. As partes pretas interiores representam mortes por outras causas.
As mortes nos hospitais de campo britânicos atingiram o pico em janeiro de 1855, quando 2761 soldados morreram de doenças contagiosas, 83 de ferimentos e 324 de outras causas perfazendo um total de 3168. A média de soldados na batalha para aquele mês foi de 32393. Utilizando esta informação, Florence calculou uma taxa de mortalidade de 1174 por 1000 com 1023 por 1000 sendo de doenças mitigáveis. Se esta taxa continuasse e as tropas não fossem repostas freqüentemente, então apenas as doenças matariam todo o exército britânico na Criméia.
As condições anti-sanitárias, entretanto, não estavam limitadas aos hospitais de campo. No retorno a Londres, em agosto de 1856, quatro meses após a assinatura do tratado de paz, Florence descobriu que os soldados durante os tempos de paz, com idades variando de 20 a 35 anos, tinham uma taxa de mortalidade que era o dobro da dos civis. Utilizando, estas estatísticas, ela mostrou a necessidade de uma reforma nas condições sanitárias de todos os hospitais militares. Com a divulgação do caso, ela ganhou a atenção da rainha Vitória e do príncipe Albert bem como do primeiro ministro, Lorde Palmerston. Seu desejo, por uma investigação formal, foi atendido em maio de 1857 e levou ao estabelecimento da Comissão Real Sobre a Saúde nas Forças Armadas. Sem chamar a atenção pública ela voltou sua atenção para as forças militares estacionas na Índia. Em 1858, por suas contribuições para as forças armadas e para a estatística hospitalar Florence tornou-se a primeira mulher a ser eleita membro da Sociedade Estatística Real.
Depois de contrair febre tifoide, ficou com sérias restrições físicas, o que a obrigou a retornar em 1856 da Crimeia. Florence Nightingale voltou para a Inglaterra como heroína e de acordo com a BBC, era provavelmente a pessoa mais famosa da Era Vitoriana além da própria Rainha Vitória.
Impossibilitada de fazer seus trabalhos físicos, dedica-se a formação da escola de enfermagem em 1860 na Inglaterra, onde já era reconhecida no seu valor profissional e técnico, recebendo prêmio concedido através do governo inglês.


Fundou a Escola de Treinamento Nightingale e a Escola de Enfermagem, mais conhecida como Casa das Enfermaeiras baseadas no Hospital Saint Thomas, com curso de um ano, ministrado por médicos com aulas teóricas e práticas.








Elas foram financiadas pelo Fundos Nightingale, um fundo de contribuições públicas formado durante o tempo em que esteve na Criméia onde arrecadou um total de £50000. As instituições foram baseadas em dois princípios. Primeiro que as enfermeiras deveriam ter treinamento prático em hospitais especialmente organizados para este fim. Segundo que as enfermeiras deveriam viver em uma casa baseada em princípios morais e de disciplina. Devido a fundação desta escola Nightingale conseguiu com que a enfermagem passasse de um passado desprestigiado para uma carreira responsável e respeitável para mulheres. Nightingale prestou, por solicitação do gabinete de guerra britânico assessoria sobre cuidados médicos para as forças armadas no Canadá e foi também consultora do governo americano sobre saúde militar durante a guerra civil americana.


Em 1883, a Rainha Vitória concedeu-lhe a Cruz Vermelha Real e em 1907 ela se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito.

Por uma boa parte do resto da sua vida Nightingale esteve acamada devido a uma doença contraída na Criméia, que a impossibilitou continuar seu trabalho como enfermeira. Esta doença, entretanto, não a impediu de continuar fazendo campanha para a melhora dos padrões de saúde. Ela publicou cerca de 200 livros, relatórios e panfletos. Uma destas publicações foi um livro de 1860, intitulado Notes on Nursing (Notas sobre Enfermagem). Este foi o primeiro livro texto publicado especificamente para a utilização no ensino de enfermagem e foi traduzido para muitas línguas. Outras publicações incluem  Notes on Hospitals (Notas sobre Hospitais), de 1859 e Notes on Nursing for the Labouring Classes  (Notas sobre Enfermagem para as Classes Trabalhadoras), de 1861. Florence Nightingale acreditava profundamente que o seu trabalho foi um chamado de Deus. Em 1874 ela tornou-se membro honorário da ASA (Associação Estatística Americana) e em 1883 a rainha Vitória a condecorou com a Cruz Vermelha Real por seu trabalho. Ela foi, também, a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito de Edward VII em 1907.
Florence Nightingale faleceu em 13 de agosto de 1910 aos 90 anos de idade. Ela foi sepultada na Igreja St. Margaret, East Wellow, próximo ao parque Embley. Ela nunca se casou, embora não tenha sido por falta de oportunidade. Ela acreditava, no entanto, que Deus tinha:
... claramente sinalizado que ela seria uma mulher solteira.
O monumento Criméia, erigido em 1915, em Waterloo, Londres, foi executado em homenagem a contribuição que Florence Nightingale fez por esta guerra e pela saúdes dos soltados que nela tomaram parte.





A partir destas informações, podemos entender que, ao pensar numa escola de enfermagem, Florence Nightingale deva ter utilizado muito do que havia aprendido com as irmãs de caridade, desde as vastas exigências
de caráter moral e espírito religioso feitas às candidatas, a distribuição e controle do tempo destinado ao trabalho hospitalar, curso e folgas, bem como, a admissão de alunas de classes sociais diferenciadas. As de classe elevada (lady nurses) podem ser comparadas às Senhoras da Confraria, que eram preparadas para as atividades de supervisão, direção e organização do trabalho em geral, e as de nível sócio-econômico inferior (nurses) que podem ser comparadas as irmãs de caridade provenientes
das aldeias, que eram mais preparadas para o trabalho manual, o cuidado direto, a obediência e a submissão.

As idéias de Florence Nightingale acerca da enfermagem como profissão chocavam-se com a ideologia da era vitoriana, correspondente à prática da enfermagem, ou seja, uma forma de ocupação manual desempenhada por empregadas domésticas. Não obstante, a escola iniciou seu funcionamento
tendo por base: a) preparo de enfermeiras para o serviço hospitalar e para visitas domiciliárias a doentes pobres; b) preparo de profissionais para o ensino de enfermagem


 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A descrição destes movimentos para a construção da enfermagem no mundo indica que seria enganoso atribuir somente às idéias de Florence Nightingale o movimento para criação e desenvolvimento da
enfermagem moderna. Não obstante, foi ela quem exerceu maior influência sobre a reforma da enfermagem no mundo e o seu trabalho neste sentido é considerado por todos os autores que tratam sobre a
história da enfermagem, como o mais completo.

Diríamos que Florence Nightingale deu voz ao silêncio daqueles que realizavam o cuidado de enfermagem e que, provavelmente, não tinham noção da importância daqueles rituais que indicavam uma prática de enfermagem já organizada, tanto no cotidiano das ações de enfermagem como na distribuição do trabalho por classes sociais. Proporcionou o significado aos silêncios que haviam na prática de enfermagem, através da Escola e de tudo que escreveu sobre a forma de cuidar do outro, que até então era envolto em regulamentos e correspondências internas, executadas apenas por aquelas que faziam parte das associações específicas, na maioria das vezes religiosas, com espírito vocacional de servir o outro por amor a Deus e não com o espírito e o desejo de construir uma profissão.


O momento em que Florence Nightingale cria a profissão de enfermagem na Inglaterra coincide com as transformações evidenciadas por Michel Foucault no ambiente hospitalar, estabelecendo o vínculo
entre o saber de enfermagem e o saber médico, numa situação de subordinação, considerando que até o século XVIII quem dominava o espaço hospitalar eram as irmãs de caridade. Quando o médico percebe
que o hospital é um campo de saber e conseqüente poder, ele assume este espaço e as irmãs de caridade o cedem passivamente, porém continuam assegurando-o através do poder silencioso do cuidar e do
domínio do ambiente e das chaves. Florence Nightingale com seus conhecimentos e crença de que a enfermagem poderia ser uma profissão reconhecida, valorizada e exercida por mulheres de várias classes
sociais, propõe a retomada deste espaço no sentido de coletivizá-lo.

Ao nosso ver, esta configuração de espaços no ambiente hospitalar consolidou os fundamentos que serviram de base para a atual prática de enfermagem que merece novas e constantes reflexões acerca de
sua construção, principalmente com relação aos aspectos que compõem o ideário da enfermagem até os nossos dias os quais, muitas vezes influenciam na formação dos futuros profissionais de enfermagem,
priorizando os ideais de fraternidade e altruísmo, sobre o fato da enfermagem construir-se como uma profissão com bases científicas e com a especificidade de cuidar do outro.
(17). Na seleção das candidatas, as qualidades morais tinham prioridade durante o curso e a disciplina era rigorosa. O rigor da escola justificava-se, considerando o que era corrente na época, isto é, quem cuidava dos doentes na Inglaterra eram pessoas imorais e, portanto, o modelo preconizado deveria ser o oposto, o mais próximo possível do que realizavam as associações religiosas, porém laicas.
(Tradução livre do artigo de: John J. O'Connor e Edmund F. Robertson)



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de São Paulo;1963.
REFERÊNCIAS


Conheça um pouco da história e vida de Florence Nightingale, mulher maravilhosa e de muita fibra , que embora sendo de familia rica e de prestigio não poupou esforços para seguir seus princípios e com isso foi a desbravadora e pioneira na enfermagem , fez o que acreditava ser o correto e tinha AMOR ao que fazia e o principal tinha AMOR ao próximo. É uma lição de vida para nós.

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